El Niño ganha força enquanto atlântico se aquece: o que esperar
O El Niño de 2026 está entrando em uma fase de aceleração. Embora o Índice de Oscilação do Sul (ONI) oficial ainda marque 0,48 °C — tecnicamente em fase neutra — os dados semanais recentes revelam uma mudança mais rápida. A anomalia Niño 3.4 semanal saltou de +0,90 °C há um mês para +1,50 °C em 10 de junho, uma aceleração substancial que o ONI de três meses ainda não capturou completamente. Simultaneamente, o Índice de Oscilação do Sul caiu para -1,50, sinal inequívoco de pressões atmosféricas favorecendo El Niño. Satélites da NASA confirmam essa tendência: segundo o NASA Earth Observatory, observações de altura da superfície do mar mostraram que "o evento de 2026 continuou a se fortalecer no início de junho".
Esse reforço ocorre em um contexto climático singular. O Pacífico está sob influência de um PDO fortemente negativo (-9,90), a Oscilação Decadal do Pacífico em sua fase fria. Paradoxalmente, embora a PDO fria tipicamente atenue El Niños, a rapidez desta aceleração sugere que fatores termais locais — incluindo a série de terremotos de magnitude 7 e superior na região do Pacífico Oeste nos últimos 90 dias — podem estar redistribuindo energia térmica de formas ainda não totalmente mapeadas. O mais recente, um M7,8 nas Filipinas em 7 de junho, ocorreu precisamente na região de ocorrência do Niño.
No Atlântico, a situação é igualmente dinâmica. A Oscilação Multidecadal do Atlântico (AMO) está em fase quente (+0,1920), e a Oscilação Quasi-Bienal (QBO) em sua fase lesteira (-23,1 m/s). Historicamente, essa combinação favorece temporadas de furacões mais ativas. Já temos o Tropical Storm Arthur em ação, conforme reportado pela NASA, trazendo chuvas intensas para a costa do Golfo dos EUA. A NAO negativa (-0,64) completa o quadro, sugerindo maior probabilidade de bloqueios atmosféricos e padrões de circulação alterados no Hemisfério Norte.
Ao mesmo tempo, o aquecimento global de fundo permanece inexorável. Concentrações de CO₂ atingiram 431,57 ppm, enquanto a extensão de gelo ártico (10,37 milhões km²) segue abaixo dos níveis históricos. Reportagens recentes destacam a urgência: The Guardian publicou investigações sobre tentativas de recongelar o Ártico e sobre o descongelamento do permafrost na Mongólia, evidenciando como a mudança climática systêmica interage com ciclos naturais como o ENSO.
Para os próximos 30 a 60 dias, espera-se que o El Niño continuar a se aprofundar, possivelmente ultrapassando oficialmente o limiar de +0,5 °C no ONI. A combinação de El Niño amplificado, AMO quente e QBO lesteira aponta para uma temporada atlântica de ciclones acima da média. No Pacífico, chuvas acima do normal são prováveis na costa peruana e no sul-sudeste asiático. Paralelamente, o PDO frio pode criar "surpresas regionais" em padrões de precipitação nas Américas do Norte e do Sul. Monitoramento semanal do SOI e Niño 3.4 será crucial para captar qualquer reversão inesperada.