El Niño acelerado e anomalias globais: o verão de 2026 em foco
O El Niño que domina o Pacífico equatorial desde 2025 mostrou sinais de intensificação nas últimas semanas. O índice de anomalia semanal Niño 3.4 atingiu +2.20 °C no final de julho, elevando-se 0.40 °C em apenas quatro semanas. Embora o Oceanic Niño Index (ONI) oficial permaneça em 0.98, este dado acumula valores de três meses e pode estar até dois meses atrasado — a aceleração recente nos dados semanais indica que o fenômeno está ganhando força quando os registros oficiais ainda mostram estabilidade. O Southern Oscillation Index (SOI) em -2.40 confirma a convergência oceânica e atmosférica típica de um El Niño robusto.
Ao mesmo tempo, três sinais estruturais amplificam os efeitos deste El Niño no hemisfério Norte. A Oscilação Quasi-Bienal (QBO) entrou em sua fase lesteira (-23.1 m/s), padrão historicamente associado a maior atividade de furacões no Atlântico. A Oscilação Multidecadal do Atlântico (AMO) persiste em fase quente (0.1920), aumentando a probabilidade de sistemas convectivos intensos e secas no Sahel. Inversamente, o Índice de Oscilação Decadal do Pacífico (PDO) está em fase fria severa (-2.71), sinal que tipicamente atenua a intensidade do El Niño sobre o Pacífico Norte, mas canaliza energia para outras regiões.
Os impactos já são visíveis globalmente. A Coreia do Sul registrou sua temperatura histórica mais elevada, com autoridades alertando que espaços sem ar condicionado tornaram-se "perigosos" (segundo The Guardian). No Reino Unido, secas contínuas transformaram paisagens verdes em terreno árido, enquanto agricultores enfrentam perdas de safra significativas. Pesquisadores do ScienceDaily identificaram uma aceleração acentuada do aquecimento global — removidos os efeitos do El Niño, vulcões e ciclos solares, a taxa subjacente de aquecimento chegou a aproximadamente 0.35 °C por década, sinalizando um forçamento climático de longo prazo independente do ENSO.
Outro fator preocupante emerge da dinâmica de nuvens tropicais. Cientistas detectaram supersaturação incomum de vapor de água em nuvens profundas tropicais, criando condições para que pequenas partículas de aerossol intensifiquem convecção e potencialmente ampliem tempestades. Este mecanismo, combinado com El Niño e QBO lesteira, oferece ambiente propício para sistemas severos nas próximas semanas.
Para os próximos 30 a 60 dias, espera-se que o ONI oficial acompanhe a tendência de alta dos dados semanais, confirmando um El Niño moderado a forte. A persistência da QBO lesteira e AMO quente mantém alta a probabilidade de atividade ciclônica acima da média no Atlântico. A série de terremotos significativos registrados entre maio e julho (incluindo M7.8 nas Filipinas e M7.3 no México) não altera diretamente o ciclo ENSO, mas eventos vulcânicos associados poderiam introduzir aerossóis estratosféricos que influenciem radiação solar incidente. A vigilância contínua sobre a evolução semanal do Niño 3.4 e a manutenção de alertas sobre extremos térmicos e pluviométricos permanecem essenciais.