El Niño acelera enquanto mundo enfrenta recorde de calor oceânico
O El Niño que atualmente domina o Pacífico Equatorial está ganhando força. A anomalia semanal do Niño 3.4 subiu de +2,60 °C há quatro semanas para +3,10 °C em 23 de setembro, revelando aceleração que o índice oficial ONI, ainda em 1,80, ainda não captura completamente. Isso é esperado: o ONI é uma média móvel de três meses e pode ficar até dois meses atrasado em relação aos sinais mais recentes. A convergência entre o ONI e o Índice de Oscilação do Sul (SOI em -4,00) confirma um El Niño robusto e bem estabelecido.
Paralelamente, o planeta continua aquecendo a um ritmo preocupante. Segundo o The Guardian, os oceanos mundiais absorveram uma quantidade recorde de 23 zettajoules de energia térmica no ano passado — equivalente a 40 vezes todo o consumo energético da humanidade. Essa injeção massiva de calor se reflete em níveis recordes de desaceleração nas desconexões de utilidades nos EUA (28% de aumento em julho de 2026, o mês mais quente já registrado), e em perdas preocupantes de gelo antártico, que caiu para o terceiro nível mais baixo do registro.
O contexto regional complica o quadro. O Oceano Atlântico está em fase quente (AMO em 0,1920) e sofre influência de uma Oscilação Quasi-Bienal (QBO) em modo lesteira (-23,1 m/s), combinação que historicamente favorece temporadas de furacões mais ativas. Simultaneamente, o Pacífico vê o Índice de Oscilação Decadal (PDO) em -2,71, fase fria de magnitude crítica que normalmente enfraqueceria um El Niño — mas que neste caso parece estar sendo superado pela força do aquecimento tropical. Essa dinâmica incomum merece monitoramento atento.
Os últimos dias trouxeram sinais contraditórios sobre adaptação climática. Enquanto reportagens documentam aumentos dramáticos em desligamentos de energia e surtos de incêndios florestais (conforme análises do The Guardian sobre tendências no Reino Unido), há também iniciativas de resiliência: o carbono atmosférico em 425,94 ppm continua subindo, mas o Brasil conseguiu preservar aproximadamente 20 mil km² adicionais de floresta amazônica sob a presidência Lula (segundo análise do Carbon Brief).
Para os próximos 30 a 60 dias, espera-se que o El Niño mantenha intensidade enquanto o sinal semanal reflete picos que o ONI ainda não acompanha totalmente. A MJO em fase 3 com amplitude 2,06 apresenta condições favoráveis a transições, potencialmente facilitando uma evolução gradual. Monitorar a semana de 7 de outubro será crucial: se o Niño 3.4 semanal se manter acima de +3,00 °C ou continuar subindo, teremos confirmação de intensificação El Niño bem acima da média histórica. Os padrões atlânticos, reforçados por QBO lesteira e AMO quente, sugerem atenção redobrada a impactos em hemisfério norte durante o restante de 2026.